Lisboa: você vai gostar da comida portuguesa, com certeza

Por Laila Goulart

A maravilhosa gastronomia portuguesa

Tô pra entender como as pessoas conseguem ser magras morando em alguns países. Para citar dois dos maiores exemplos em que eu tenho certeza que essa tarefa é difícil, mas que cada caloria vale a pena, estão Portugal e Itália. Para a Itália, teremos outros (muitos) posts e falaremos agora sobre a capital de Portugal, Lisboa, usada como entrada na Europa por muitos, mas tenha certeza que é uma entrada triunfal.

Lisboa é linda. Apesar de os portugueses terem fama de que são mal educados e de não tratarem os brasileiros da melhor forma, posso dizer que não passa de boato. Não tive qualquer experiência ruim com nossos irmãos de língua e olha que andamos muito, esbarramos em vários atendentes, motoristas e recebemos dicas da dona do apartamento que alugamos no Airbnb.

Começando pelos doces…

Aqui, focaremos na experiência gastronômica que pudemos aproveitar, partindo da primeira orientação que tivemos em Portugal: conheça a Manteigaria, é de lá que são os melhores pasteis de nata que você irá comer.

manteigaria

Produção desenfreada de pasteis de nata, na Manteigaria

A Manteigaria é um lugar bem pequeno, quase um corredor, em que só se vendem pasteis de nata e bebidas. A qualquer hora que você entrar lá, será possível encontrar essa maravilha portuguesa-com-certeza, fresquinha, feita na hora, já que o lugar vive cheio e a rotatividade é grande. É possível, inclusive, acompanhar como os pasteis são feitos, por trás de um vidro, em que está parte da cozinha, ao lado da bancada de vendas. O sabor é inexplicável, é macio, com gosto de que acabou de sair do forno e nunca chega a ficar seco e sem graça, como em outras confeitarias, que não tem a mesma demanda, nem a mesma receita.

Fomos na Manteigaria do Bairro Alto e entramos por lá a cada vez que o caminho dos passeios turísticos coincidia com o endereço dos pasteis de nata. Ou, em alguns casos, fazíamos o caminho passar por lá. Vale muito ir, para tomar um café da manhã, café da tarde ou simplesmente matar a vontade de um bom doce típico. Arrisco a dizer que é muito melhor do que a Fábrica dos Pastéis de Belém, local turístico e super tradicional.

A Fábrica dos Pastéis de Belém é lotada de turistas, especialmente por ficar próxima à Torre de Belém e por sua história, de existir desde 1837. Mas nesse caso, a tradição, realmente, não compensa. O atendimento deixa a desejar, você precisa implorar por um garçom, em determinados horários, as mesas ficam sujas, atraem pombos, e bom, o pastel de nata (que lá é de Belém) não chega aos pés da Manteigaria. Vale só pra conhecer e postar uma foto no Instagram, se isso fizer parte dos seus objetivos de viagem.

Alta gastronomia:

cantinho do alvilez

Cheesecake Enfrascado, com um vinho português, claro, no Cantinho do Avillez

Saindo dos pasteis e partindo pras refeições mais robustas, almoço e jantar, vamos ao Avillez. Se você já fez qualquer pesquisa gastronômica sobre Portugal, com certeza, você já sabe quem é Avillez. O chef José Avillez tem 38 anos, é de Lisboa, e já virou uma referência na culinária gourmet do país. Ele tem 9 restaurantes, em Lisboa e Porto, incluindo o Belcanto, primeiro português a conquistar duas estrelas do guia Michelin. Infelizmente, não conseguimos reserva no Belcanto (deixamos pra última hora, mas se puder, faça!), mas imaginamos sua qualidade, já que pudemos conhecer três dos restaurantes do renomado chef: Cantinho do Avillez, Bairro do Avillez e o Mini Bar.

bairro do alvilez

Uma das sobremesas no Bairro do Avillez. Não se engane, dentro da xícara, é um sorvete de café!

O Cantinho foi o primeiro em que jantamos, conseguimos uma mesa mesmo sem reserva e a experiência foi maravilhosa. A comida é excelente e fica num “cantinho” mesmo, um espaço pequeno e aconchegante no Chiado. Pedimos Ovo BT (a baixa temperatura), de entrada, e de pratos principais fomos de “Lascas de bacalhau, migas soltas, ovo BT e azeitonas explosivas” e de “Bife tártaro com batatas NY”. A sobremesa foi um “cheesecake enfrascado”. Tudo muito, muito bom. O gerente é brasileiro e ofereceu um ótimo atendimento, inclusive nos tranquilizou quanto a caminhar à noite, em Lisboa. Vá, sem medos.

O Bairro do Avillez fica no Chiado também e está entre os restaurantes mais novos da cidade. Ficamos na Taberna, espaço ideal para petiscar e experimentar vários pratos, e tivemos um belo almoço. Picanha maturada com creme de alho e batatas fritas, pastel de nata com gelato de café e Bolo de chocolate também estiveram entre nossas escolhas. Garçons atenciosos e sem necessidade de reserva. Já o terceiro e último local do Avillez que conhecemos foi o Mini Bar, que é um bar gastronômico e só abre à noite. Lá, optamos pelo menu degustação épico, que significa pratos marcantes e uma surpresa a cada um que chegava. Não vamos estragar aqui a surpresa, mas trata-se de uma experiência mesmo.

Outros locais indicados pra ganhar calorias inesquecíveis são: o Mercado da Ribeira e o JNcQUOI. O Mercado foi criado em 2014, como parte de uma revitalização de um mercado de verduras e flores que existia em frente ao Cais do Sodré. A área é como uma grande praça de alimentação formada por mais de 30 restaurantes de chefs locais conhecidos e mesas de refeitórios, para compartilhar com outros turistas. É de lá que vem um dos melhores bacalhaus que já comi na vida, daqueles espessos, com um sabor que raramente (ou nunca mesmo) vamos encontrar no Brasil. O esquema é como de praça de alimentação de shopping, você escolhe uma fila, paga, pega uma senha e espera o prato ficar pronto. É um point imperdível pros turistas e dá pra escolher várias opções de cozinha, em um só lugar.

gastronomia portuguesa

Bacalhau e um vinho branco, do JNcQUOI, com vista privilegiada pra acompanhar o preparo dos pratos

Já o JNcQUOI é um luxo. Fica na Avenida da Liberdade que, por si só, já é outro luxo e concentra as grandes lojas de grifes do mundo. O JNcQUOI é um nome inspirado na expressão francesa “je ne sais quoi”, algo que na tradução literária significa “Eu não sei o que”. É um “não sei o que” que movimenta a cidade desde abril de 2017. O espaço é composto por três andares, em que é possível passar seu tempo entre bar, restaurante, loja de produtos masculinos, loja de produtos gourmet, um balcão de macarons da Ladurée (o único da cidade).  Tudo em uma decoração bem moderninha, que inclui, por exemplo, um espaço pra DJ no meio dos banheiros.

Tudo isso faz parte de um “eu não sei o que” que Lisboa tem.

Ah, pra quem quer informações básicas de Lisboa: como ir? Aonde ficar? O que fazer? O blog Viaje na viagem tem um post bem bacana e prático. Segue o link viaje na viagem.

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